domingo, 7 de marzo de 2010

Sem reposta


O ar já é apenas respirável
porque não me respondes:
tú sabes bem que o que eu respiro
são tuas respostas.
E me afogo.

De que se vive e de que somos algo
mais que um reflexo trêmulo
do que temos medo,
neste lago.
E eu te perguntei:
" Buscamos juntos?"
O que se quer encontrar
em uma água tão vaga e borrosa
há de buscar pelo ar mais alto
porque no fundo de um lago
o que há sempre
é a cópia de um anjo o de um Deus,
a figura de um ser que ali se vê,
desde seu verdadeiro
ser celeste.

Compreendo teu silêncio.
A segunda pergunta que te fiz
a mais de 800.00 mil kilômetros,
foi escrita no mês de fevereiro
por onde se pode ler apenas,
mas não pudiste escutar.
E por isso continuas
provando roupas que te acalmam.

Não há mais inverno que a solidão.
O que derruba a neve
é um amor
que serve de sol como sua intérprete.
Toma meus braços, aceite
este modo sensível, e
ao mesmo tempo,
inverno e solidão, chamado amor.

A primeira pergunta que te fiz,
estava perto, sim, bem perto estive.
Abraçados estávamos.
Nosso teto era abraço,
as paredes e o chão abraços eram,
com esta cor intensa
com que se pinta tudo ao abraçar-se.
Abraço foi a porta pela qual entramos.
As janelas eram abraços,
através do abraço víamos,
a visão era abraço e ouvir abraços.

E estavam os sentidos
tão apertados uns contra outros,
brindando a nossa união sua diferenças,
que até então meus olhos não haviam
visto o que viu o abraço.
E por isso eu te perguntei, sem voz
apenas apertando-te bem mais
contra meu peito
o corpo que os céus me emprestaram.
Sim, tú sabías escrever promessas com os olhos,
e meu desejo era saber
como é tua letra quando tua alma escreve.

Mesmo assim,
não respondiste. Eu compreendo.
Estavas já dormido em meu peito
e minha pergunta como asa se desfez
ao chocar com os olhos já fechados.
Algumas de suas plumas ou
palavras-promessa-aurora-eterno- te roçarama alma,
sim, mas tão levemente,
que tú, creendo que eram apenas
um de tantos sonhos sem perguntas,
nunca pensaste em responder a um sonho.





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